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Curiosidades do Refrigerante

A História do Refrigerente

Os precursores das bebidas carbonatadas, em particular os refrigerantes, foram as águas minerais gasosas provenientes de fontes naturais na Europa. Antes da manufatura organizada dos refrigerantes, a população percorria grandes distâncias em direção às estâncias hidrominerais em busca de seu conceituado efeito terapêutico.

As características químicas dos gases naturais foram estudadas por Van Helmont e por Hoffman e, o primeiro a produzir uma "água gasosa artificial" foi Gabriel Venel, que em 1750 obteve gás carbônico pela reação do ácido clorídrico com carbonato de sódio em um vaso fechado. Ao produto dessa combinação Venel denominou "água aerada" em virtude do desconhecimento da real natureza do gás liberado.

Muito do trabalho de eminentes químicos ingleses no século XVIII, notadamente Stephen Hales, David McBride, Joseph Clark, Thomas Lane e William Brownrigg, foi direcionado no sentido de simular artificialmente o processo natural de obtenção das águas minerais gasosas. Joseph Priestley fez consideráveis contribuições e, em 1772, publicou o tratado " Directions for Impregnating Water with Fixed Air ", onde estabeleceu importantes relações, não só na carbonatação da água, como do vinho e da cerveja, acrescentando importantes observações acerca da adição intencional de compostos aromáticos, bem como de outros ingredientes, na obtenção de um produto diferenciado mas igualmente refrescantes e terapêutico.

Fora da Inglaterra, químicos suíços com Torbern Bergman e Carl W. Scheele trabalharam no mesmo sentido. Na França, importantes contribuições foram dadas por Antoine Lavoisier que notadamente identificou o "ar fixado", originalmente descrito por Venel e assim denominado por Priestley, como sendo uma combinação de carbono e oxigênio, ao que denominou "gás de ácido carbônico".

Em 1775, J. M. Nooth desenvolveu o primeiro equipamento para produção de água mineral e derivados em escala comercial, aperfeiçoado posteriormente por Thomas Henry. Nascia de uma forma organizada, ainda que incipiente, a indústria de água mineral, berço histórico dos refrigerantes.

O período compreendido entre 1789 e 1821 assistiu a um crescimento quantitativo de unidades produtoras no continente europeu. Cavendish demonstrou que a solubilidade do dióxido de carbono aumenta com a diminuição da temperatura, associada a aumentos de pressão, área de contato e agitação do sistema. Em sociedade com Gosse e Schweppe, N. Paul, usando a tecnologia de Cavendish, o gasômetro de Lavoisier e o lavador de gases de Bergman, construiu o "Aparelho Genova" com o qual alcançou a "excelente marca de 40 000 garrafas anuais".

Assim, pelo começo de século XIX, constata-se uma ampla aceitação desse produto, principalmente na Inglaterra, em grande parte pelos efeitos medicinais à eles atribuído. Precisamente em 1823, Humphiy Davy e Michael Faraday obtiveram o C0 2 líquido, abrindo novas perspectivas para a produção de águas minerais.

Aproximadamente pela mesma época e em virtude da simpatia pelas causas referentes às colônias americanas que se emancipavam no Novo Mundo, Priestley migra para a América do Norte, onde encoraja novos pesquisadores com visão comercial, principalmente Benjamin Silliman e Joseph Hawkins, no sentido de envasar e comercializar água artificialmente carbonatada.

Em 1850, o governo americano, através de estatísticas censitárias, registrou um total de 64 plantas produtoras de água mineral, número esse que aumenta para 123 já em 1860, sendo que quatro delas operavam em Washington, D.C. em plena guerra civil.

Townseed Speakman, em 1870, preparou o primeiro refrigerante com a adição de flavorizantes, surgidos em 1850, e sucos de frutas em água carbonatada, apesar de existirem registros de que David McBride produzira uma bebida carbonatada à base de frutas em 1767, adicionando sais alcalinos ao suco de limão. Contudo, somente em 1865 começam de forma organizada as propagandas de aromas de maçã, laranja, limão, cereja, etc. adicionados às águas minerais artificialmente gaseificadas - inicia-se a indústria de refrigerantes nos moldes atualmente estabelecidos.

Na década de 1870 o censo americano contabiliza um total de 387 plantas de engarrafamento, número que cresce enormemente para 8220 unidades produtoras em 1929. Os anos seguintes assistiram a uma redução drástica nessa estatística em função do "crash" da bolsa de 1929, tocando o total de plantas remanescentes, a casa dos 6000 estabelecimentos, até meados da década de 50, quando se estabiliza em aproximadamente 3000 unidades. O crescimento no número de fábricas é acompanhado de perto pelo consumo que cresce à taxas estáveis e consistentes de 36 milhões de copos na década de 1850 para algo em torno de 72 bilhões, servidos na década de 1970 em território americano o que, traduzido em termos de consumo per capta registra um incremento de dois para 350 copos no mesmo período. Muito desse aumento no consumo é devido, em grande parte, à novas estratégias de marketing, que a seu tempo foram identificando de forma cada vez mais apurada os gostos e preferências da massa consumidora, bem como os diferentes critérios e padrões seletivos utilizados pelo público. O surgimento de novas embalagens, sabores e formas de apresentação também contribuiu para o aumento do negócio que caracteriza tanto a história como a indústria de refrigerantes por apresentar produtos com qualidade crescente a um público cada vez mais exigente e seletivo.

Uma análise histórica permite-nos concluir que a bebida esteve, em dado momento, estreitamente associada à manipulação farmacêutica com insinuações médicas curativas e/ou tonificantes com algumas fórmulas desenvolvidas por farmacêuticos. Essa característica é herdada dos efeitos terapêuticos atribuídos às águas minerais nas reminiscências históricas das "soda fountain". É notório, entretanto, que alguns grandes fabricantes, associados a marcas de grande valor, iniciaram seus negócios calcados nessas bases, alcançando inegável sucesso. No entanto, a aparente simplicidade do produto abriga complexas formulações, manufatura, controle de qualidade, embalagem, tecnologias de inspeção e envase, movimentação de carga, etc, caracterizando-se como um segmento altamente interdisciplinar e dinâmico inserido em uma realidade de mercado enormemente exigente e competitiva.

No Brasil, ainda no começo desse século, ocorrem planejamentos no sentido de montar-se fábricas de bebidas carbonatadas, contudo a primeira grande guerra interrompe as idéias que são retomadas com a vinda de imigrantes. A primeira grande fábrica é montada pela Companhia Antartica Paulista, em maio de 1921, na capital, embora pequenas indústrias como a Refrigerantes Aymoré, já fabricassem refrigerantes em escala artesanal.

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